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VENCEDOR
DO XVIII PRÉMIO DUPONT
ANTONIO
HERNANDO GRANDE
ANTONIO
HERNANDO GRANDE, DOUTOR EM CIÊNCAS FÍSICAS E CATEDRÁTICO
DA UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRID
A vida de investigador
de Antonio Hernando tem-se centrado no fabrico, caracterização
e compreensão da física dos materiais magneticamente
macios. No campo desses materiais, estudou e publicou numerosos
artigos sobre vidros metálicos ferromagnéticos, materiais
nanocristalinos, supercondutores, microfios amorfos e películas
finas. A produção e a conversão da energia
representam o campo de aplicabilidade destes materiais, os quais
constituem o bloco de maior peso dos materiais magnéticos
utilizados em aplicações industriais.
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Período
1994-1990 Amorfos metálicos ferromagnéticos Anisotropia
induzida e magnetostricção (UCM, Universidade Técnica
da Dinamarca e Instituto de Magnetismo Aplicado)
Foi instalado em Madrid um equipamento de arrefecimento ultra-rápido
que permitiu fabricar materiais amorfos magnéticos de composições
variadas e em condições controladas. Estudo pormenorizado
dos processos de magnetização, magnetostricção
e anisotropias induzidas. Por exemplo, observou pela primeira vez
a influência que a tensão elástica exercia sobre
o valor da constante de magnetostricção. Este artigo,
no qual figura como co-autor o então director do Instituto
Max Planck de Estugarda, com 50 referências, pôde fazer-se
completamente em Madrid graças à concepção
e execução de um sistema de medição
de magnetostricção que montou no seu laboratório.
Posteriormente, estudou as anisotropias magnéticas induzidas
nos amorfos por tratamentos técnicos realizados com campo
aplicado ou sob tensão viscoelástica. Em colaboração
com a Universidade Técnica da Dinamarca, onde trabalhou durante
dois anos, primeiro como mecânico e depois como professor
contratado, realizou um grande número de trabalhos que foram
objecto de centenas de referências. Graças a esse estudo,
recebeu uma proposta da Universidade Técnica de Lund na qual
se solicitava que o seu grupo de trabalho viesse a desenvolver uma
série de sensores magnetoelásticos de torção
baseados em vidros magnetostrictivos. Fizeram os protótipos,
e o consórcio subvencionou-os com a contrapartida da organização
e celebração de um congresso intitulado “Magnetic
Metallic Glasses” que reuniu em Espanha o grupo dos melhores
cientistas mundiais nesse campo. Esse congresso representou a consagração
internacional do seu grupo. Já em 1988, o Presidente do Conselho
Social da Universidade Complutense, conhecedor do seu trabalho realizado
para a indústria sueca, ofereceu-lhe a possibilidade de criar
um Instituto de Magnetismo na Universidade. Essa oferta foi sem
dúvida a melhor recompensa que lhe puderam atribuir pelo
seu êxito com os sensores magnetoelásticos, o que unicamente
reflectia o seu sucesso na investigação básica
da magnetoelasticidade de amorfos. Esse acontecimento marcou uma
característica constante do seu trabalho de investigação,
a qual consiste em correlacionar estudos básicos e em utilizar
os seus resultados em aplicações de interesse socioeconómico
e tecnológico. Concretamente, o seu grupo de investigação
estudou a dependência da magnetostricção relativamente
à composição, temperatura e tensão elástica
aplicada, tendo concluído o estudo com a formulação
de uma teoria baseada na dispersão espacial da constante
de magnetostricção e na necessária contribuição
simultânea de um único ião e de interacções
de pares no hamiltoniano magnetoelástico do sistema. O seu
trabalho chegou a constituir um compêndio de experimentos
que levou à formulação de uma teoria da magnetostricção
para amorfos ferromagnéticos.
Período 1990-2002:
Nanocristais, películas finas e ligas de Fe-Cu (Instituto
de Magnetismo Aplicado, Universidade de Cambridge e Instituto Max
Plank de Estugarda)
A criação do Instituto representou uma mudança
qualitativa e quantitativa no seu trabalho. A missão do Instituto
era a de combinar investigação básica de qualidade
com investigação aplicada às necessidades sociais.
Foi iniciado o trabalho de investigação sobre fios
e amorfos e microfios em colaboração com o professor
M. Vázquez.
Os nanocristais magneticamente
macios formados por cristalitos do tamanho do nanómetro embebidos
numa matriz amorfa constituíram o objecto do seu interesse,
tanto quando obtidos por desvitrificação parcial de
amorfos como por ligação mecânica ou sputtering.
As ligas especiais, como as de Fe-Cu ou de Fe-Rh, também
foram objecto de estudo. Os fenómenos de magneto-resistência,
de assimetria de troca em fronteiras antiferromagnéticas
e os problemas de troca através de separadores ferromagnéticos
foram abordados em películas finas, em multicamadas e em
amostras nanocristalinas. Durante esse período, dirigiu 8
teses de doutoramento sobre estes assuntos. É de salientar
como testemunho do impacto dos trabalhos sobre fios amorfos no Journal
of Applied Physics D Applied Physics, em número de 160. O
seu maior interesse centrou-se sempre no acoplamento de troca entre
diferentes fases ferromagnéticas através de interfases
paramagnéticas. Esses trabalhos versaram sobre a troca entre
nanocristais e a sua influência na magnetização
macroscópica. Os trabalhos, com mais de 400 citações,
são considerados clássicos nesse campo, estando por
isso compilados em livros escolares. Propuseram também um
modelo para explicar a troca entre películas finas magnéticas
separadas por um separador paramagnético. As investigações
levadas a cabo na liga imiscível Fe-Cu, obtida de maneira
forçada por ligação mecânica, tiveram
grande repercussão. Constataram uma contribuição
do Cu para o momento magnético e determinaram a dilatação
da rede que promovia o ferromagnetismo do Fe fcc. Nesse período,
observaram também o carácter não magnético
das fronteiras de grão do Fe, facto evidenciado a baixas
temperaturas em amostras cristalinas. Os resultados relativos ao
assunto, publicados na Physical Review Letters e na Phys. Rev. B,
têm 60 referências cada um deles. Os diversos tipos
de comportamentos magnéticos macroscópicos de amostras
nanoestruturadas com mais de uma fase foram analisados teórica
e experimentalmente em função das características
das fases componentes, do seu tamanho e do seu grau de acoplamento
de troca, o qual determina o comprimento de correlação
da troca. Os dois trabalhos publicados sobre essa matéria
na Physical Review B constituem uma referência habitual nos
trabalhos sobre este tópico, tendo sido objecto de mais de
120 citações cada um deles.
Período 2003
– actualidade: Nanopartículas de Pd e Au. Semicondutores
magnéticos.
A partir do ano de 2003, foi iniciado um estudo sistemático
do magnetismo de nanopartículas de metais que no estado maciço
não são ferromagnéticos. Na revista Physical
Review Letters, publicaram pela primeira vez com consistência
experimental a existência de ferromagnetismo em nanopartículas
de paládio. Mas sem dúvida que a descoberta crucial
do nosso grupo foi a do ferromagnetismo de nanopartículas
de ouro ligadas por meio de átomos de enxofre a cadeias orgânicas
que actuavam como dispersante. Esta descoberta, publicada também
na Physical Review Letters de 2004, que em dois anos já foi
citada 50 vezes, foi acompanhada pela apresentação
de uma teoria sobre a sua origem baseada na interacção
spin-órbita de superfície. A teoria, igualmente publicada
na Physical Review Letters, teve em poucos meses 10 referências.
As sucessivas descobertas neste campo, actualmente tão vanguardista,
proporcionaram publicações em revistas de índice
de impacto muito elevado, como é o caso da Nanoletters e
da Advanced Materials. Cinco propostas para palestras sobre o tema
em congressos internacionais recebidas em 2005 e 2006 indicam o
impacto do seu trabalho. Dentro do actual campo de investigação,
é também de salientar a sua contribuição
para a compreensão do magnetismo de óxidos semicondutores
com pequena diluição de elementos 3d. O seu artigo
na Physical Review Letters sobre o magnetismo do óxido de
manganês diluído em óxido de zinco, publicado
en 2005, têm já mais de 25 referências.
BASES
DO XVIII PRÉMIO DUPONT DA CIÊNCIA
Com o objectivo de
estimular as iniciativas individuais que, sob a forma de artigos
ou de trabalhos publicados, constituam uma contribuição
importante para o avanço da Ciência, ou das suas aplicações,
convoca-se o XVIII Prémio DuPont da Ciência que se
concederá de acordo com as seguintes bases:
B A S E S
1.- Serão examinados os artigos e trabalhos aparecidos em
revistas e publicações especializadas que se julguem
em consonância com o objectivo e temática do Prémio
DuPont da Ciência, assim como o conjunto do trabalho realizado
pelos seus autores.
2.- Os mencionados artigos e trabalhos
devem ter sido realizados em Espanha ou em Portugal.
3.- Os candidatos que aspirem à
edição de 2008 deverão ter realizado as suas
investigações no campo dos materiais para a energia
(biocarburantes, baterias, energias alternativas, células
solares, ecrãs oled).
4.- O prémio está dotado
com 30 000 euros.
5.- Será concedido um só
prémio indivisível.
6.- Não poderá receber
o prémio um investigador que já tenha em seu poder
outro de igual ou superior dotação.
7.- O prémio será recebido
pessoalmente.
8.- O prazo máximo para a entrega
da documentação será até ao dia 31 de
Julho de 2008.
9.- O Júri será constituído
por personalidades de relevo. - Todos os componentes do Júri
terão direito a voto.
10.- As resoluções serão
adoptadas por maioria simples de votos dos membros do Júri.
Se se verificar um empate, decidirá o voto do Presidente.
11.- A decisão do Júri
será inapelável.
12.- A decisão será
dada a conhecer durante o ano de 2008.
13.- O Prémio será entregue
em Oviedo durante o primeiro trimestre de 2009.
Prémio DuPont da ciência

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Abril 2008 |